27/05/2008

Mas afinal, o que é a felicidade?

Dirigido e produzido por Sean Penn, “Na natureza selvagem” é um filme baseado em uma história real de um jovem que resolveu largar tudo para viver no Alasca. Penn, que levou cerca de 10 anos para finalizar o roteiro - transformando um livro nesse filme-, se saiu bem no desafio e produziu um filme tocante e muito inteligente.

O filme conta a história do jovem Christopher McCandless que, recém-formado no início dos anos 90, decide mudar o rumo de sua vida. Ele se desfaz do carro, doa a poupança para uma instituição de caridade, destrói seus documentos e põe fogo em todo o dinheiro que tinha na carteira. É assim que Chris assume uma nova identidade, aquela que ele tanto sonhou em algum dia ter.

Ele deixa para trás uma família que estava em crise e a sua querida irmã caçula para viver em contato com a natureza. Sim, isso pode parecer uma idéia absurda, mas o protagonista está convicto de que pode ser feliz somente com a natureza. Chris não dá mais notícias para os familiares e segue pelos EUA, vivendo da solidariedade daqueles que cruzam seu caminho e quebrando alguns galhos para sobreviver. Seu objetivo maior é viver ao Alasca. Porém, para isso, ele faz uma espécie de “treinamento” em seu país para saber se virar sozinho nas terríveis condições climáticas do Alasca.

Durante esse período, pessoas interessantíssimas cruzam seu caminho. Ele passa por experiências inesquecíveis na primeira parte de seu trajeto. Ao se sentir preparado, Chris parte esperançoso para o Alasca. Quando chega lá, o aventureiro encontra um ônibus abandonado que se transforma em uma espécie de casa. A partir de então, com uma casa e lugar “seguro” para viver, o protagonista desfruta de paisagens maravilhosas e de uma solidão que tanto desejou.

O verão acaba. O inverno chega. Chris, sempre muito organizado, sabe que seu estoque de comida acabaria no início da próxima primavera – e planeja voltar para casa justamente nesse momento. As dificuldades começam a aparecer, principalmente quando ele percebe que vai ter de permanecer por mais um inverno no Alasca.

A falta do que comer, o frio incalculável e a fraqueza física e mental de Chris fazem com que ele perceba que errou ao pensar que a felicidade só faria sentido na completa solidão.

É aí que o filme se torna genial. Além de abordar a força da natureza perante o homem (e a impotência humana perante ela), a felicidade entra como um dos pilares da discussão. Será que Chris alcançou o queria? Ou será que a verdadeira felicidade é estar na companhia de pessoas queridas?

No final das contas, o protagonista conseguiu o que mais desejava: viver no Alasca. Mas o saldo dessa experiência poderia ser muito mais positivo. Ele mesmo diz, em seus momentos finais, uma grande verdade:

“You can only find true happiness when shared”.

E o filme não acaba por aí.

3 comentários:

Unknown disse...

felicidade é a paz de espírito? é estar bem consigo mesmo? é alcançcar aquilo que se deseja? é alcançar aquilo que se merece? ou aquilo que se acha merecer?

pelo post, filme e experiências de vida de cada um, todas e nenhuma dessas respostas. ainda que tenhamos plena convicção de que precisemos de algo para sermos felizes - que fique clara a complexidade deste subjetivo sentimento - as reviravoltas da vida, de nossas ações e reflexões podemos e mudam essas concepções.
dessa forma, penso que ao externalizar a felicidade, ela é legitimada, intensificada, passa a ser tangível.

concordo com o post e com o filme, realmente Happiness only real when shared.


p.s.: escrevi e reescrevi esse comentário algumaS vezeS, desculpe qq falha!!mta responsabilidade escrever no blog de uma periodista hehe:)

Unknown disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Unknown disse...

Vc não poderia ter escolhido um filme melhor pra começar essa aventura blogueira.

"Into the Wild" retrata aqueles sonhos e desejos que muitos de nós temos em determinados momentos de nossas vidas, mas raramente temos a coragem de lutar, como fez o Chris.

O filme é de uma beleza estética e auditiva peculiar, a fotografia utilizada é belíssima! E a trilha sonora produzida pelo Eddie Vedder foi feita exclusivamente para se encaixar em cada contexto desse filme maravilhoso!

A luta sobre-humana do protagonista em encontrar a sua liberdade plena, em meio à solidão, que não lhe permite obter a verdadeira felicidade, posto que não compartilhada, nos leva a Werner Herzog.

Sem dúvida, Herzog poderia ter feito esse filme...sem dúvida o Chris pode ser um "homem-natureza", em comparação ao "homem-urso" deste brilhante diretor, que sempre nos remeteu filmes sobre o ser humano em si e suas lutas interiores.

Enfim, para não mais me alongar, parabéns pela iniciativa...parabéns pela resenha...